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Frade centenário de Rodeio faleceu em Indaial

Por Judson Lima

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RODEIO – Faleceu na tarde desta quarta-feira (28), o Frei Abel Schneider de 100 anos, ele estava internado no Hospital Beatriz Ramos de Indaial onde tratava uma insuficiência renal desde a semana passada, a causa da morte foi falência múltipla.

Frei Abel Schneider celebrou cem anos no dia 19 de julho, tornando-se o segundo frade centenário da Província. Ele e a Fraternidade, contudo, nem puderam celebrar a data, porque nesse dia Frei Abel foi internado.

Ele teve várias passagens por Rodeio e voltou a atuar como  atendente conventual desde 2004 na cidade , onde está o Noviciado e o Convento Franciscano, foi também em Rodeio que Frei Abel em 14/12/1946 teve sua Admissão na Ordem dos Frades Menores, portanto tinha 74 anos de Vida Religiosa.

A reportagem do site Vale do Itajaí Notícias conversou com Frei Josenberg Cardoso Aranha do Noviciado e Convento rodeense , que confirmou o falecimento do frade centenário. Desde sua internação, o Frei Abel não apresentou melhoras e, no início desta tarde, ele veio a falecer.

Frei Abel Schneider

Segundo informações o Guardião do Convento de Rodeio, Frei Mário Stein está em Indaial para tratar da transferência do corpo. Durante o período de internação no Hospital Beatriz Ramos, foi acompanhado pelo Frei Ângelo Vanasi.

O velório de Frei Abel será feito a partir das 6h30 de amanhã, 29 de julho, na Igreja matriz da Paróquia São Francisco de Assis de Rodeio. Às 7 horas, a Fraternidade do Noviciado reza as Laudes e, às 10 horas, a Missa de Exéquias. O corpo de Frei Abel será sepultado, às 11 horas, no jazigo dos frades no Convento de Rodeio.

Frei Abel Schneider, OFM, foi um frade que marcou a vida de muitos da nova geração de franciscanos de nossa Província. Confessor dos noviços e homem de profunda oração. Sua fidelidade foi um espelho para nós. Cristo, te chamou. Ele te receba, e os anjos, Nossa Senhora e o seráfico pai te acompanhe à presença do Altíssimo. R.I.P+”, comentou o Josenberg Cardoso Aranha 

 

História de Vida 

Frei Abel Schneider

O Frade Menor

Frei Abel nasceu em Selbach, RS, no dia 19 de julho de 1921. Era o filho mais velho do casal Fridolino e Agnes Schneider (falecidos) teve nove filhos (8 homens e 1 mulher). Agricultores, os pais eram, segundo o frade “profundamente” cristãos católicos. Seu discernimento vocacional, acreditava, começou desde criança, através da prática religiosa, do trabalho, da honestidade e da boa convivência. “Todos da minha pequena comunidade eram católicos praticantes e dali saíram muitas vocações. Para se ter uma ideia, até 1963, éramos 27 padres, 45 religiosos (as) e 1 bispo que nasceram ou moraram lá. O bom exemplo dos franciscanos e sua piedade também influenciaram na minha decisão”, contou em sua ficha autobiográfica.

“Desde criança tive a ideia de ser padre e apresentei-a ao meu pai. Para a minha surpresa, ele gostou muito e me encaminhou para os franciscanos. A paróquia onde morávamos era dos frades; hoje não é mais. Em Selbach, no Rio Grande do Sul, havia muitos seminaristas, companheiros que eu conhecia e outros que não conhecia, mas quase todos da Diocese de Santa Maria. Então, pensei: vou lá para Santa Maria! Pensei que era a mesma coisa. Mas o pai me fez mudar de ideia e disse: ‘Não, você vai para os Franciscanos!’ Eu aceitei. No seminário, a gente aprendeu o que era ser franciscano e como ser frade menor. Nesse tempo, tinha 13 anos e ingressei na etapa do ensino fundamental. Mas aprendi pouca coisa, pois em casa só falávamos alemão. Fui para o seminário sem saber o português”, disse em entrevista a Frei Augusto Luiz Gabriel, em 2018. Frei Abel ingressou na Ordem dos Frades Menores no dia 14 de dezembro de 1946 e fez a profissão solene no dia 18 de dezembro de 1950, sendo ordenado sacerdote no dia 1° de julho de 1954.

Sobre a sua longa caminhada como religioso, define: “Toda pessoa humana enfrenta provações. Passei também as minhas, e se até aqui venci, espero ser fiel até o fim”.

Para ele, viver bem em fraternidade, é “aceitar a si mesmo e corrigir os erros, buscar a perfeição sempre, fazer penitência, saber que a renúncia faz parte da vida consagrada para não perder o objetivo maior que é seguir Jesus e, com isso, ser fiel ao chamado, ao plano de Deus, à vocação que ele nos deu”.

Segundo ele, a fórmula para ser um bom frade menor é ser fiel ao ideal de vida. “Ser firme e convicto: eu quero ser isso, então persisto! Essa é a fórmula. Não se pode ficar na indecisão do ‘vou não vou, não vou, vou, não vou…’. Decida e seja firme! É claro que vai esbarrar em dificuldades, obstáculos, mas isso se encontra em qualquer situação de vida. Por isso é importante ter bem claro à nossa frente o que queremos”, ensina.

A longevidade

Para ele não há segredo na longevidade: “A vida é um dom que Deus dá a cada criatura. Para uns, Deus deu a brevidade, para outros, a longevidade. Então, que cada um viva e respeite a vontade do Criador”.

Para ele, não mudaria nada nessa caminhada centenária: “Não faria nada de novo! É melhor continuar caminhando do que repetir, voltar para trás não permitiria que se chegasse ao fim. Então, o que estava errado vou corrigir para o futuro ser melhor”.

Nesses cem anos, um fato marcante para ele foi o Concílio Vaticano II: “O Concílio Vaticano trouxe muita euforia entre o clero, isso me lembro bem! Depois, quando as reformas começaram a ser implementadas, muitos largaram a batina precipitadamente. As reformas foram feitas lentamente e deram muito certo”. Mas sobre a vida de nossos governantes faz questionamentos: “O governo deveria orientar e dirigir a sociedade toda, mas segue os seus próprios interesses. Aí que está a nossa missão: anunciar o Evangelho perante isso tudo!”

Nos 100 anos de vida, confessa estar realizado na Ordem Franciscana: “O ideal franciscano me basta. Não sou ‘topstar’! A Ordem é o nosso ideal para seguir a Palavra de Cristo. Sede santos como o nosso Pai é santo. Como ser santo? É uma boa pergunta! Então temos à nossa frente meios e caminhos para a santidade, que é a Ordem que São Francisco nos deixou. Nós o conhecemos e procuramos segui-lo. Tropeçamos muitas vezes, mas seguimos firmes, não olhando para trás”.

Um conselho que deixou a um jovem que quer seguir a vida religiosa: “Questione-se bastante. O que quero e por que quero entrar na Ordem? Aliás, isso é para toda e qualquer forma de vida”.

R.I.P

Da Secretaria Provincial

 

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