Instituto de Cardiologia de SC implanta projeto para reduzir índices de infecção hospitalar

Foto: Solon Soares/Agência AL

GERAL – Com a meta de reduzir, até o ano de 2020, 50% das taxas de infecção na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) adulto, o Instituto de Cardiologia de Santa Catarina (ICSC), de São José é, atualmente, uma das 120 unidades hospitalares do país a aderir ao projeto “Melhorando a Segurança do Paciente em Larga Escala no Brasil”, do Ministério da Saúde (MS).

A iniciativa é destinada a combater principalmente três das infecções mais frequentes nas unidades de saúde brasileiras, relacionadas à ventilação mecânica, (para pacientes que estão entubados, recebendo auxílio de um respirador artificial); à corrente sanguínea (pelo uso de cateter venoso central para infusão de soro e medicamentos); e às sondas vesicais (inseridas pela uretra para o controle da diurese).

O projeto prevê a adoção uma série de procedimentos considerados simples e que não demandam muitos investimentos, mas que precisam ser incorporados à rotina das UTIs, tais como a correta higienização das mãos dos servidores que lidam com os pacientes, assepsia e manejo adequado de equipamentos. Cinco unidades consideradas de excelência estão encarregadas de oferecer orientações e suporte técnico: Hospital Alemão Osvaldo Cruz (SP), Hospital do Coração (SP), Hospital Israelita Albert Einstein (SP), Hospital Sírio Libanês (SP) e Hospital Moinhos de Vento (RS).

Todos os hospitais devem seguir os mesmos protocolos, com um pacote de intervenções capaz de medir a melhoria contínua dos processos de trabalho da equipe, além da criação de um sistema de cuidado à prova de erros, com inspeção sucessiva, auto-inspeção e inspeção da fonte.

De acordo com o diretor do ICSC, o cardiologista Jamil Cherem Schneider, desde dezembro de 2017, quando foi implantado na instituição, que possui 130 leitos, (15 em UTI) e realiza 400 internações por mês, o projeto já possibilitou a redução de 50% nos casos de infecção relacionados à ventilação mecânica e 30% nas urinárias. Nos últimos quatro meses também não foi registrada nenhuma infecção em corrente sanguínea. “Isso significa reduzir custos, o tempo de permanência hospitalar, as complicações que o paciente vai ter durante a internação e o mais importante de tudo, poupar vidas”, destacou.

Outro benefício decorrente na adoção da sistemática de procedimentos, disse, foi a melhoria no ambiente de trabalho dos servidores. “Percebemos que eles estão mais motivados por causa desta redução clara das taxas de infecção, mas também pela qualificação do trabalho deles dentro da UTI, seja o técnico de enfermagem, o enfermeiro, o médico, o servidor responsável pela limpeza do ambiente, e toda a equipe multidisciplinar envolvida.”

Ainda de acordo com Schneider, futuramente a sistemática também devem ser ampliada aos demais setores do Instituto de Cardiologia. “A ideia é que essa mudança seja estendida ao restante do hospital e isso seja perene, pois todo o processo que visa à melhoria da qualidade na assistência deve ser se tornar algo permanente.”

Em Santa Catarina também participam do projeto o Hospital Hans Dieter Schmidt, de Joinville; o Hospital Universitário (HU) e o Hospital de Caridade, ambos de Florianópolis.

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