Festa de Corpus Christi nasceu de um milagre eucarístico

Por Francisco Vêneto

MUNDO – A festa de Corpus Christi nasceu de um milagre eucarístico. Estamos na Itália e correm os anos atribulados do século XIII. Um sacerdote, pe. Pedro de Praga, está perdendo a fé: ele duvida de que Jesus esteja realmente presente na Eucaristia, mas pede a Deus a graça de crer. Com este propósito, ele resolveu partir em peregrinação até Roma, para rogar a graça da fé sobre o túmulo do Apóstolo São Pedro.

Já de regresso da sua romaria pessoal, ele está celebrando a Santa Missa na cripta de Santa Cristina, em Bolsena, quando a Sagrada Hóstia sangra e deixa manchado o corporal com o Sangue Preciosíssimo de Cristo.

O extraordinário acontecimento chega rapidamente aos ouvidos do Papa Urbano IV (1262-1264), que estava na cidade de Orvieto. Ele pede imediatamente ao bispo Santiago que lhe tragam de Bolsena o corporal que havia recebido o Sangue de Cristo, o qual é levado até o Papa em solene procissão. Quando Urbano IV recebe a relíquia, ajoelha-se perante ela e a mostra ao povo reunido.

Festa de Corpus Christi nasceu de um milagre eucarístico

Será este mesmo Papa quem proclamará que, toda quinta-feira seguinte à oitava de Pentecostes, a Igreja passe a celebrar com solenidade a festa do Corpo de Cristo – ou, em latim, Corpus Christi. Essa determinação fica registrada na bula pontifícia “Transiturus de mundo”, de 11 de agosto de 1264.

É importante observar que já existia um “precedente” muito relevante para a instauração da solenidade do Corpus Christi: na diocese de Liège, na Bélgica, a freira Juliana de Mont Cornillon (†1258) já vinha recebendo visões nas quais o próprio Jesus lhe pedia uma festa litúrgica anual em honra da Sagrada Eucaristia. O Papa Urbano conhecia a beata Juliana e considerava sinceros os seus relatos e apelos. O milagre ocorrido na Itália, portanto, veio a corroborar a importância e mesmo a necessidade de oficializar a solenidade em honra do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo.

Urbano IV também encomenda de ninguém menos que Santo Tomás de Aquino a composição de um ofício litúrgico específico para esta solenidade, assim como de hinos eucarísticos que passam a fazer parte do tesouro da Igreja até hoje e para sempre, como o “Tantum Ergo” e o “Lauda Sion”.

Em 1290, é construída a catedral de Orvieto, chamada de “lírio das catedrais”. É nela que está preservada desde aquela época a santa relíquia do milagre que reavivou a fé do pe. Pedro de Praga na Santíssima Eucaristia – e que, desde então, também reaviva a fé de todos os católicos no diário milagre do Corpo e Sangue de Nosso Senhor.

Fonte: Aleteia.org

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