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Engenheiro que assinou laudo de estabilidade aponta ‘barbeiragem’ em Brumadinho

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BRASIL  – O engenheiro Makoto Namba, consultor da alemã TÜV SÜD, responsável por atestar a estabilidade da barragem da Vale em Brumadinho (MG) no ano passado, disse à força-tarefa que investiga a tragédia que houve “barbeiragem” na instalação de drenos na estrutura, que rompeu no final de janeiro.

A tentativa de drenagem da água teria começado após a empresa tomar conhecimento de que havia risco de a estrutura de contenção sofrer o processo chamado de “liquefação”. Imagens do depoimento de Namba foram divulgadas ontem pelo “Fantástico”, da TV Globo.

Namba confirmou a irregularidade após ser questionado por investigadores sobre a menção ao termo “barbeiragem”, na utilização dos drenos horizontais profundos (conhecidos pela sigla DHPs) .

— (Foi uma barbeiragem?) Sim. Para dar um fraturamento hidráulico. Não poderia ter dado isso — disse o engenheiro à força-tarefa.

No depoimento, Namba também sustentou que a assinatura do laudo de estabilidade foi um “ato técnico” realizado sob “pressão sutil” por parte de executivos da Vale, entre eles Alexandre Campanha, gerente da companhia. Em relação aos drenos, outro consultor da TÜV SÜD, Arsênio Negro Júnior, afirmou que são “uma coisa temerária”, uma vez que configuram intrusões que podem induzir rompimentos. A instalação só foi interrompida em junho de 2018, quando uma infiltração foi verificada.

— Eles se assustaram em um desses eventos (de infiltração)… por sorte. E foi isso que eles quiseram abandonar — contou o consultor.

Pressão corporativa

Ainda segundo o “Fantástico”, o Ministério Público considera que houve uma pressão corporativa da Vale em relação à TÜV SÜD para que o laudo de estabilidade fosse assinado em setembro de 2018.

— Nós temos elementos até o momento que apontam para uma pressão corporativa por parte da Vale em relação a consultores externos para que eles adotassem determinadas posturas que fossem de interesse da empresa — afirmou o promotor William Coelho, do MP de Minas Gerais.

A Vale informou que uma vistoria feita na barragem dois dias antes da tragédia nçao detectou qualquer risco de rompiemento e disse ainda que todas as intervenções no local foram medidas normais de segurança. A mineradora ressaltou que nenhum depoimento de funcionário da empresa indica conhecimento prévio de risco de ruptura.

A defesa de Makoto Namba afirmou que o consultor teve elementos técnicos suficientes para atestar a estabilidade da barragem e que foi questionado pela Vale somente no que se referia ao prazo da assinatura do laudo.

O advogado de Alexandre Campanha afirmou que todos os informes que recebeu atestavam a segurança da estrutura.

 

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