Câmara de Blumenau aprova moção de repúdio a evento que vai abordar diversidade de gênero

BLUMENAU – A Câmara de Blumenau aprovou nesta terça-feira moção de repúdio a um ciclo de palestras agendado para o dia 14 de novembro na Escola Professora Elza Pacheco que, entre os temas, pretende abordar a diversidade de gênero.

Outra moção de repúdio ao GPE Educacional, o famoso Pontinho Estudantil, que abriu inscrições para o curso “Diversidade de Gênero e Sexualidade: O papel da família, da sociedade e da escola”, também estava na pauta da sessão, mas a votação acabou sendo adiada pelo presidente da Casa, Marcos da Rosa (DEM).

Apenas Bruno Cunha (PSB), Professor Gilson (PSD) e Ito de Souza (PR) votaram contrários. Adriano Pereira (PT) se absteve, mas da tribuna fez coro ao discurso de tolerância e respeito às diferenças. Todos os demais se posicionaram favoravelmente.

A justificativa oficial da moção – proposta por Marcos da Rosa e subscrita, conforme a assessoria legislativa da Casa, por Alexandre Caminha (PROS), Almir Vieira (PP), Marcelo Lanzarin (PMDB) e Oldemar Becker (DEM) – é que o debate sobre o assunto foi retirado do âmbito dos planos nacional, estadual e municipal de educação e que, portanto, não teria amparo científico e não poderia ser introduzido nas escolas “por ativistas ideológicos de gênero”.

A escola será comunicada sobre a votação, que pede o cancelamento da iniciativa. Na programação do evento também estão palestras sobre diversidade cultural indígena, afro-brasileira e no Oriente Médio. Estes temas não entraram no acalorado debate na Câmara, que ficou concentrado na abordagem de questões relacionadas a gênero e sexo a crianças e adolescentes.

Há muitos tabus envolvendo este polêmico assunto, que é movido muito mais por paixões ideológicas, divergências políticas e crenças religiosas do que por contexto social, cultural e histórico. Faltam informação e tolerância.

Independentemente das opiniões favoráveis e contrárias – que fazem parte da democracia -, o que mais me assusta é a tentativa de censura. Não é impedindo o diálogo, em qualquer circunstância, que se constrói uma sociedade mais esclarecida. Que se punam aqueles que infringirem a lei, mas que não se tire do cidadão o sagrado direito de manifestação e acesso ao contraditório.

 

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