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Adolescente tem fotos intimas vazadas na internet e aciona justiça em Pomerode

POMERODE – Uma adolescente que disputava um concurso de beleza como representante de Pomerode, teve fotos intimas vazadas indevidamente e sem autorização nas mídias sociais. O vazamento e compartilhamento de imagens intimas sem autorização é crime e os compartilhadores podem ser processados.

Depois do episodio, mesmo com o apoio dado por parte dos organizados do concurso, a jovem deixou a disputa que já se encaminhava para fase final. Mais do que perder o posto num concurso, a vítima tenta retomar sua rotina de vida aos olhos da sociedade moralista que tende a condenar quem tem a vida exposta em redes sociais como vilã e não olham a pessoa como vítima.

“Em uma cidade tão pequena e tão mente fechada como Pomerode, é difícil de lidar, afinal, tu não sabe quem sabe ou não, e fica naquela agonia interminável. Fora o julgamento, as pessoas te destroem moralmente, pensam coisas sobre ti e sobre a sua família, falam absurdos. É horrível ser taxada de tantos nomes horríveis por conta de algo íntimo que fora vazado de uma forma criminosa (porque sim, eu fui vítima de um crime), e ainda ter que lidar com a opinião de gente com a cabeça fechada mandando discurso moralista do tipo ‘mulher assim é vagabunda’ ou ‘mulher tem que se dar o respeito’, enquanto colabora com o criminoso compartilhando pros amiguinhos nos grupos por aí. É nojento saber que existem seres humanos assim. Ninguém me conhece pra falar o que sou ou deixo de ser, ninguém pode falar nada da minha pessoa. Não adianta as pessoas se pagarem de boas, de religiosas, de ‘amor ao próximo’ e fazer isso com uma adolescente, menor de idade, destruindo a vida dela e deixando ela sofrer ali. Isso não condiz com nada do que pregam, como sempre, as pessoas dessa cidade mergulham em falsidade e hipocrisia. Não é justo o que fizeram comigo e eu espero que nunca mais se repita com nenhuma outra pessoa. Ninguém sabe de fato o que aconteceu e, obviamente, ninguém pode abrir a boca pra falar algo”, comentou a vítima ao site Testo Notícias sobre o fato.

Já existe investigação  e denuncia formalizada na justiça para que o responsável pelo vazamento e as pessoas que fizeram os compartilhamentos sem autorização responsam criminalmente pela ação.

Mulheres são maiores alvos de crimes digitais 

Segundo levantamento da ONG Safernet Brasil, que monitora crimes e violações dos direitos humanos na internet, em parceria com a Polícia Federal e o Ministério Público, em 2016 foram registrados 301 casos. As mulheres totalizam 67% das vítimas principais.

A orientação para as mulheres é procurar uma delegacia especializada (Delegacia da Mulher, Adolescente e Idoso, por exemplo), registrar um Boletim de Ocorrência e apresentar os números de telefone de quem enviou e quem recebeu esse tipo de mensagens. É possível entrar com uma ação de indenização por danos morais quando a divulgação gera situação de constrangimento ou situação vexatória no ambiente familiar ou de trabalho, por exemplo. A pena seria de seis meses a dois anos, podendo ser maior quando há agravante, como crime contra menor de idade.

O vazamento de imagens sem consentimento é crime e é possível identificar e punir os responsáveis. E quem curte e compartilha esse tipo de conteúdo também é responsável pela violência.

O que você pode fazer na prática

A maioria dos relatos de vazamento não consensual de imagens íntimas mostra que as fotos foram tiradas e enviadas em um contexto privado, dentro de uma relação com um parceiro afetivo. No entanto, os depoimentos mostram que as mulheres afetadas se sentem constrangidas e culpadas.

É preciso lembrar que mandar fotos íntimas (nudes) não é o problema, mas, sim, compartilhar essas imagens sem autorização. A vítima nunca é culpada pelo vazamento. Mas quem compartilha está contribuindo para a violência.

Romper o ciclo do compartilhamento é fundamental para limitar a circulação do conteúdo. É simples: é só não compartilhar. E, se você receber uma imagem do tipo em um grupo, reclame. Denuncie. Converse com quem mandou. Explique qual é o problema.

 

*Com informações Testo Notícias

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