A afinidade de PSD e PP e a margem para aliança com os tucanos

POLÍTICA – Muitos almoços, jantares e cafés serão palcos de conversas sobre alianças até agosto, mas o encontro de lideranças do PSD e do PP nas mesas do restaurante Castelmar, no Centro de Florianópolis, no início da tarde de ontem foi mais uma demonstração clara da afinidade dos projetos das legendas para as eleições. Antes, as duas siglas patrocinaram, cada um em seu diretório, reuniões com pré-candidatos a deputado estadual e federal.

O encontro dos pessedistas produziu pelo menos uma cena simbólica. Na longa mesa preenchida por postulantes a parlamentar, o ex-governador Raimundo Colombo e o presidente estadual Gelson Merisio dividiam a mesma cabeceira. A grande questão sobre o PSD é quem conduz o projeto — o pré-candidato ao Senado ou o pré-candidato ao governo — e a imagem reflete isso. Ou, talvez, dê a ideia de duplo comando.

Colombo evitou uma segunda imagem icônica ao recusar do almoço com os pepistas no Castelmar. Ainda é cedo para fotografias ao lado de Esperidião Amin, pré-candidato do PP e hoje alinhado a Merisio. O ex-governador alegou a necessidade de partir logo para Brusque, onde encontraria o prefeito Jonas Paegle (PSB) e receberia uma homenagem na Câmara de Vereadores. Colombo está com o pé na estrada para pavimentar sua volta ao Senado.

Dos encontros do PP e do PSD ficou um indicativo de ambos os partidos coligarem nas chapas de deputado estadual e federal – um legítimo cruzamento de sangue. Na edição de final de semana, relatei uma conversa com Amin em que ele garantia que ambos os partidos estariam juntos. O pepista também dizia que o PSDB pode ser um plus nessa frente, com a inclusão do senador Paulo Bauer entre os nomes que podem liderar a chapa – desde que os tucanos assumam uma postura contrária ao governo de Eduardo Pinho Moreira (PMDB).

Presidente do PSDB-SC, o deputado estadual Marcos Vieira reagiu à fala de Amin. Disse que respeita muito o ex-governador, mas que quem manda nos tucanos são os próprios tucanos. Rejeita as avaliações de que o voto a favor da polêmica Medida Provisória 220 tenha sido um aceno a Pinho Moreira (“não votei com o governo, votei a favor de Santa Catarina”). Sobre a entrada dos tucanos no bloco puxado por PSD e PP, Marcos Vieira provoca:

— Então vamos fechar o bloco e levantar a bunda das cadeiras. Definir critérios para escolher as candidaturas. Por que o PSDB não pode ter duas vagas e o PSD pode? — questiona Vieira.

Na formatação atual da chapa, Merisio, Colombo e um Amin (Esperidião ou Angela) tem cadeira cativa nas majoritárias, sobrando apenas uma vaga que pode ficar com PSB ou com os tucanos. Sobrariam, assim, o ex-prefeito blumenauense Napoleão Bernardes e o próprio Marcos Vieira, que postulam o Senado.

Ou seja, existem empecilhos para a aliança que não parecem intransponíveis. Quem vê Bauer como nome mais forte e seguro para liderar o comboio, tem margem para trabalhar. Aliás, ex-deputado estadual e pré-candidato a retornar a Alesc, Júlio Garcia não foi à reunião do PSD e nem almoçou com os pepistas.

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